Home Data de criação : 09/08/28 Última atualização : 11/10/17 21:52 / 5 Artigos publicados

Co-dependência  escrito em sábado 05 setembro 2009 17:36

 

CO-DEPENDÊNCIA

 

O dependente químico raramente vive “no vazio”. Aqueles que o cercam são direta ou indiretamente afetados pela disfunção comportamental que acompanha a progressão da doença da dependência e desenvolvem mecanismos de racionalização para melhor suportar a dor de serem rejeitados em função do álcool/droga. Quando isto ocorre, estas pessoas passam a ser o que denominamos CO-DEPENDENTES.

Co-dependência, um problema progressivo, capaz de tornar doente as pessoas que, em consequência de uma relação tão intensa e comprometida com um dependente químico, não conseguem administrar suas próprias vidas.

Esse fato inicia-se quando nessa relação alguém tenta controlar o uso de drogas, o consumo de bebidas ou quaisquer comportamentos compulsivos de um dependente na esperança de ajudá-lo, sendo mal sucedido nesse controle das atitudes do próximo, acabando assim, por perder o domínio sobre seu próprio comportamento e vida.

Assim como o dependente químico necessita da droga, a droga do co-dependente é o dependente. Embora seja uma resposta normal para um situação anormal, a co-dependência é extremamente prejudicial a todos quando se tenta controlar algo ou alguma coisa que não se tem controle.

Todo indivíduo é dotado de algo chamado “Soberania Pessoal”. Não há restrições quanto a isso, exceto se ela agride a terceiros. Na “Soberania Pessoal” está incluído o direito de usar qualquer substância, seja para que fim for, mas responsabilizar-se integralmente pelas consequências.

No atendimento e ao tratamento do dependente químico é comum o indivíduo ser trazido pela família, é comum também, que a família apresente uma certa resistência quando solicitada a participar, ou então aceite o tratamento apenas por causa do dependente, como se ela não precisasse refletir sobre a qualidade da relação familiar. Normalmente a fala é a seguinte: - “Ele estando bem, eu também estarei”.

O sistema de negação desenvolvido pelos co-dependentes, é basicamente idêntico ao utilizado pelo dependente químico.

Estas características são desenvolvidas ou geradas por reflexo de comportamento diretamente vinculado e sob influência da conduta do dependente.

Além disso, outros mecanismos de defesa mais complexos atuam no sentido de sustentação das possibilidades de ganho que a doença promove, com efeito, a princípio, os ganhos quase sempre representados pela atenção social que recebe, parece envolverem de satisfação imediata tanto o dependente quanto o co-dependente, seja pela necessidade de que carecem, seja pela força da patologia à qual estão aferrados.

Todavia, com o tempo, o indivíduo com essa característica se torna insistente e a qualidade das relações que desenvolvem tende a se tornar obstinada.

Como consequência, ele fica cada vez mais isolado socialmente e entra em estado depressivo cíclico, apresenta sentimentos de abandono, frustração e auto-estima baixa.

Todas as atitudes a que o co-dependente responde mediante a manipulação do dependente pressupõe-se atuarem no sentido de uma degradação de conduta de ambas as partes. Assim, o que o co-dependente necessita, é de uma orientação para que possa receber como responde às diretrizes de conduta do seu dependente, o grau de envolvimento e de participação na patologia em questão.

                                                                Vander Campello

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Álcool e Drogas. O que fazer ?  escrito em sexta 04 setembro 2009 09:59

 

ÁLCOOL E DROGAS.  O QUE FAZER ?

 

Hoje, em todo o mundo, é preocupante o crescente consumo de drogas. O problema alcançou tamanha proporção, que ações e repressão ao narcotráfico são pequenos paliativos que, executados isoladamente, não atingem o objetivo desejado.

Sabemos que a questão do uso de drogas não passa apenas pelo indivíduo dependente, nem tampouco pelo traficante somente, pois estes são os dois extremos de uma questão a esmagadora maioria é composta por usuários, quer esporádicos ou freqüentes e todo o grupo social que os cerca. Senão vejamos.

Sabe-se que o consumo de álcool/drogas traz no seu bojo um percentual de aproximadamente 10 a 15% de usuários que em algum momento irão estar quimicamente dependentes e apresentarão problemas oriundos deste consumo. Restam portanto 85 a 90 % de consumidores que podem até ter problemas ocasionais derivados de seu uso dos químicos, mas que justamente quando surgirem estes problemas, irão identificar o prejuízo que vêm tendo e optarão por interrompê-lo ou simplesmente passarão a consumir com moderação, evitando maiores dissabores.

Estes, todavia, serão justamente os aconselhadores mais perigosos, pois terão a experiência do controle de si mesmos e estarão sempre prontos a convencer aos outros de que é possível consumir álcool/drogas e ter controle desse uso. Haja visto seu próprio exemplo. Desta forma, teremos aí, o espelho onde o dependente busca encontrar apoio para justificar sua recusa em reconhecer a falência diante dos químicos e aceitar que é portador de uma doença de NEGAÇÃO.

Para se começar qualquer movimento no sentido de tratar a questão: alcoolismo/toxicopedendentes, suas implicações diretas e indiretas a sua afetação na sociedade como um todo, é preciso antes de mais nada, que nos livremos de todo e qualquer preconceito para então ter condições de avaliar uma outra informação com a mente aberta. Portanto, contando com essa boa vontade dos leitores, vou apresentar alguns fatos para questionarmos juntos.

Sensível e desconfiado por natureza, o dependente químico está sempre exagerando na dose, e que dose! E, uma vez tendo começado a usar (beber, cheirar, fumar) parece querer acabar com toda a droga existente (álcool é droga) no mundo. Sua sensibilidade lhe diz que alguma coisa está errado, mas ele desconfia de qualquer tentativa de aproximação, e se isola no seu conflito, querendo resolver seu quebra-cabeças sozinho, fingindo ignorar a tragédia que se aproxima, agarrando-se desesperadamente à convicção de que desta vez será diferente. Ele vai conseguir controlar e provar para todo mundo e para si mesmo que não é um “viciado”. Apenas se descontrolou algumas vezes, é lógico, tinha bons motivos para isso, por exemplo: Se sua mulher o compreendesse e parasse de encher o saco, ele ficaria mais em casa e não usava tanto. Se não fosse tão baixo o meu salário e as coisas tão caras e esses políticos corruptos ricos e ele ali, submetido aos seus caprichos; só mesmo tomando uma para esquecer.

Bom, já deu prá notar as desculpas tão nossa conhecidas, não é? Descontrole, perda da família, de empregos, dos amigos, uma profunda insatisfação diante da vida, sentimentos de solidão e constante estado de eminência de morte são comuns ao dependente químico.

E temos dependentes nos diversos segmentos da sociedade, expondo a todos, aos riscos advindo do seu comportamento angustiado e irresponsável. Aviadores, motoristas, mecânicos, médicos, carteiros, professores, policiais, políticos, cozinheiros, marinheiros, controladores de vôo, donas-de-casa, babás, atores, mestres de artes marciais e tantos em outras profissões.

Destes, temos brancos, negros, mulatos, etc... e ainda poderão ser ricos, classe média alta, média, média baixa, pobres, muito pobres, paupérrimos e mendigos.

Poderão ser homens, mulheres, homossexuais, bissexuais, sem escolha definida ou assumida, não importa.

A todos, a dependência química poderá atingir, independentemente de quaisquer dos fatores citados ou outros que não tinham sido.

A propósito, a dependência química sintomatizada pelo uso abusivo de álcool/drogas, é uma doença reconhecida pela O.M.S. – Organização Mundial de Saúde no mundo inteiro. É doença nos Estados Unidos, no Japão, na Inglaterra, no Brasil, no Rio de Janeiro e São Paulo. Essa doença que mata, mas desmoraliza antes, é progressiva – ninguém começa tomando uma caixa de cerveja, fumando vinte cigarros de maconha por dia, nem cheirando dez gramas de cocaína numa noite. O uso progride.

E além disso, é incurável. Mas, o fato de não ter cura, não significa que é impossível tratá-la. É possível sim. O tratamento existe e a recuperação também. Pode-se interromper o processo de progressão a partir da total abstinência, acrescida de uma terapêutica própria, específica para o dependente químico, cujo objetivo principal é fortalecer o desejo de parar de usar e se manter assim, sendo estimulada uma proposta de mudanças que certamente poderão melhorar sua qualidade de vida.

Convém sabermos ainda, que esta doença afeta aqueles que convivem com um dependente de forma muitas vezes tão intensa que os leva a desenvolver um comportamento semelhante, e por isso, o familiar deve e precisa de tratamento similar.

Como podemos perceber, apenas toquei na ponta deste imenso iceberg e muito, mas muito mesmo, há para ser exposto. Essa patologia, é tão ampla e complexa que não tive, não tenho e jamais terei a pretensão de conseguir esgotar o assunto. De alguma forma, espero ter acrescentado informações úteis e ofereço o que disponho para tratar, esclarecer e orientar aqueles que quiserem ou tiverem a necessidade dessa ajuda.

Nesta oportunidade, como sempre faço, agradeço a Deus e àqueles que propiciaram este nosso primeiro encontro, comprometendo minha equipe a continuar esse trabalho, enquanto Ele assim o permitir.


 

                                                                               Vander Campello

 

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Os 21 Recados Do Seu Filho  escrito em segunda 31 agosto 2009 17:37

 

OS 21 RECADOS DO SEU FILHO

 

01. Não me estrague. Sei perfeitamente que não devo ter tudo que peço. Estou apenas testando você.


02. Não tenha medo de ser firme comigo. Prefiro assim para me sentir mais seguro amanhã.

                                                                      

03. Não me deixe adquirir maus hábitos. Tenho que contar com você para eliminá-los, desde as primeiras vezes.


04. Não me faça sentir menor do que sou. Isto só fará com que me comporte como “grande” ridículo.


05. Não me corrija com aspereza diante dos outros. A repreensão será mais proveitosa se feita calmamente, em particular.


06. Não me faça sentir que minhas faltas são pecados. Isto subverte meu senso de valores.


07. Não me proteja das conseqüências. É bom que de vez em quando eu aprenda, sofrendo na própria pele.


08. Não se sinta chocado quando eu digo “odeio você”. No fundo, não é você que eu odeio, é seu poder de me contrariar.


09. Não ligue muito para certas dorzinhas de que às vezes me queixo. Quase sempre não passam de um truque para conseguir a atenção que preciso.


10. Não seja ranheta comigo. Do contrário, para me proteger, serei obrigado a parecer surdo as suas reclamações.


11. Não se esqueça de que não sei ainda me exprimir tão bem quanto desejaria. Este é o motivo porque nem sempre sou muito exato em minhas explicações.


12. Não faça promessas irrefletidas. Lembre-se de que fico tremendamente frustrado quando uma promessa não é cumprida.


13. Não tabele muito alto meu grau de honestidade. Isto facilmente me assusta a ponto de me levar a dizer mentiras.


14. Não seja incoerente. Cria em mim uma confusão tal que me faz perder a fé em você.


15. Não diga nunca que meus medos são bobagens. Para mim, eles são terrivelmente reais e você contribuirá muito para me dar segurança se tentar entendê-los.


16. Não me descarte quando faço perguntas. Senão eu paro de lhe perguntar as coisas e você vai descobrir que agora busco minhas respostas em outros lugares.


17. Não queira aparecer nunca como perfeito ou infalível. Para mim será um choque forte demais o descobrir que você não é nenhuma das duas coisas.


18. Não pense jamais que cairá do pedestal de sua dignidade perante mim se tiver que me pedir desculpa. Saiba que uma desculpa honesta só faz aumentar surpreendentemente minha cálida atmosfera de intimidade com você.


19. Não se esqueça de quão depressa estou crescendo. Deve ser duro para você acompanhar meu ritmo, mas por favor tente.


20. Não se esqueça de que adoro experimentar. Sem isto não posso ir adiante, portanto colabore nisto.


21. Não se esqueça de que não posso florescer se não com um bocado de amor e compreensão. Mas isto não preciso lhe dizer, preciso?

                                                                        Vander Campello
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A Família é Importante Para o Tratamento  escrito em domingo 30 agosto 2009 15:59

 

A FAMÍLIA É IMPORTANTE PARA O TRATAMENTO


              A família é fundamental para o sucesso do tratamento da dependência química. Pensar que tudo se resolverá a partir de uma internação ou após algumas consultas médicas é uma armadilha que não polpa a mais sincera tentativa de tratamento.

A dependência é um problema que se estruturou aos poucos na vida da pessoa. Muitas vezes, levou anos para aparecer. Muitas coisas foram afetadas: o desempenho escolar, a eficiência no trabalho, a qualidade dos relacionamentos, o apoio da família, a confiança do patrão, o respeito dos empregados. Como esperar, então algo presente na vida de alguém há tempo e que lhe trouxe tantos comprometimentos desapareça de repente? Quem decide começar um tratamento se depara com os sintomas de desconforto da falta da droga e, além disso, com um futuro prejudicado pela falta de suporte, que o indivíduo perdeu ou deixou de adquirir ao longo da sua história de dependência.

Todos podem ajudar: o patrão, os amigos, os vizinhos, mas o suporte maior deve vir da família. As chances de sucesso do tratamento pioram muito quando a família não está por perto.

Veja porque a família é tão importante:

  1. O dependente muitas vezes não tem a noção completa da gravidade do seu estado. Por mais que deseje o tratamento, acha que as coisas serão mais fáceis do que imagina. Por conta disso, se expõe a situações de risco que podem leva-lo de volta ao consumo.

  2. O dependente sente a necessidade de “se testar”, expondo-se a situações de risco para ver o seu esforço está valendo a pena. A família deve ajuda-lo estabelecendo com o dependente regras que ajudem a afasta-lo da recaída. Todo o tratamento começa com um mapeamento dos fatores e locais de risco de recaída. A família deve ajudar o dependente a evitar esses locais. Isso não deve ser feito de modo policial. Não se trata de fiscalizar. Trata-se, sim, de chamá-lo à reflexão e a responsabilidade sempre que esse, sem perceber ou se testar se expuser ao risco da recaída.

  3. O dependente sente dificuldades em organizar novas rotinas para sua vida sem as drogas. O dependente de drogas precisa de apoio para superar as dificuldades e estabelecer um novo modo de vida sem drogas. Vários fatores interferem nessa tarefa. A pessoa pode estar fora do mercado de trabalho há muitos anos, desatualizada e sem contatos que lhe proporcionem voltar em curto prazo. Pode ter saído da escola muito jovem e agora está pouco qualificado para um bom emprego. Há dificuldade em se relacionar com as pessoas, aguentar as frustrações, saber esperar a hora certa para tomar a melhor atitude. A autocrítica do dependente por vezes é dura consigo mesmo. Deixa um clima depressivo e de fracasso no ar. Isso pode fazer com que os planos para o tratamento sejam deixados de lado.

  4. A família no tratamento mostra que o diálogo ainda existe. A rotina da dependência química traz ressentimentos para todos. Muita roupa suja vai ser lavada. No entanto, é preciso entender que se trata de uma doença. Em um primeiro momento a motivação do dependente para a mudança e do apoio da família para mantê-lo motivado são importantíssimos. Isso demonstra que a família ainda é capaz de se unir, conversar e resolver seus problemas. Quando o momento de ir para o tanque chegar, todos estarão fortalecidos e o assunto será tratado com mais ponderação e menos emoção.

                                                              Vander Campello

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Adicção  escrito em sexta 28 agosto 2009 20:33

 

ADICÇÃO

 

“Adicção” é uma condição na qual uma pessoa desenvolve bio-psico-social dependência, com qualquer droga alteradora de humor. Uma adicção leva uma pessoa a usar droga para conseguir uma gratificação a curto prazo. Mas existe um preço a ser pago. A longo prazo, a adicção é acompanhada por obsessão, compulsão e perda de controle. Quando não está usando, a pessoa que sofre de adicção está pensando, planejando ou procurando usar novamente (isto é obsessão).

O uso interfere com a maneira de viver, mas existe uma compulsão ou necessidade avassaladora para usar novamente, apesar das conseqüências dolorosas a longo prazo. A pessoa adicta usa a droga para aliviar a dor criada pelo seu uso. Assim o contínuo uso do químico leva ao contínuo uso do químico – isto é adicção.

Adicção distingue-se de uso de droga pela falta de liberdade de escolha. Usar uma substância alteradora de humor é uma escolha.

Adicção é uma condição que tira a pessoa a escolha, data e freqüência, quantidade e natureza do uso.

Toda adicção começa com o uso, mas nem todo uso leva a adicção.

 

 

Vander Campello

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